A que velocidade um carro sai da pista numa curva?
Atualizado em 2026 · 4 min de leitura
Um veículo sai da pista numa curva quando a força de que precisa para girar supera a que o pneu pode lhe dar. Esse ponto tem uma velocidade concreta —a velocidade crítica em curva— e se calcula com três dados: o raio, o atrito e a superelevação.
A fórmula
Onde R é o raio da trajetória, μ o atrito transversal pneu-pavimento e p a superelevação em valor decimal. A superelevação soma quando a curva é inclinada para dentro e subtrai quando é para fora.
Repare que a massa não aparece. Um caminhão carregado e um hatch têm a mesma velocidade crítica de derrapagem na mesma curva, porque o peso multiplica igualmente a força necessária e a que o pneu pode dar. O que muda entre eles é o capotamento, que é outro fenômeno.
De onde sai o raio
Raramente está no projeto da rodovia, e mesmo que estivesse não serviria: o que interessa é o raio da trajetória descrita pelo veículo, que não é o eixo da pista. Obtém-se medindo a marca deixada no asfalto com duas grandezas:
- a corda — a reta entre as duas pontas do arco medido;
- a flecha — o afastamento máximo entre essa reta e a marca.
A flecha é pequena e o raio é muito sensível a ela: um erro de um centímetro pode deslocar o raio vários metros. Convém medir uma corda longa —quanto mais, melhor— e repetir a medição. Se a marca permitir dois trechos, calculam-se os dois raios e se comparam.
Derrapar não é capotar
A velocidade crítica em curva diz quando o veículo desliza. Se o veículo for alto e a bitola estreita, ele pode capotar antes de deslizar — e então este cálculo não descreve o que aconteceu. A comparação se faz com o Static Stability Factor, que relaciona a bitola com a altura do centro de gravidade. Um carro baixo sempre desliza antes de capotar; um SUV alto, não necessariamente.
O que este cálculo não diz
Ele dá a velocidade em que o veículo já não conseguia sustentar aquela trajetória. Não diz em que velocidade ele vinha metros antes, nem se o motorista freou na entrada. Se houver marca de frenagem prévia, a velocidade de entrada é maior e é preciso encadear os dois cálculos.
O módulo 12 obtém o raio a partir da corda e da flecha, ou o aceita diretamente, e devolve a velocidade crítica com a superelevação incorporada.
Perguntas frequentes
- Como se calcula a velocidade em que um carro sai de uma curva?
- Com a fórmula v = √(g·R·(μ+p)/(1−μ·p)), onde R é o raio da trajetória, μ o atrito transversal e p a superelevação. Ela dá a velocidade a partir da qual o veículo já não consegue sustentar aquela curva.
- O peso do veículo influi na velocidade crítica de uma curva?
- Não na derrapagem. A massa multiplica igualmente a força necessária para girar e a que o pneu pode dar, então se cancela. Influi no capotamento, que é um fenômeno diferente.
- Como se mede o raio de uma curva a partir da marca?
- Com a corda —a reta entre as pontas do arco medido— e a flecha —o afastamento máximo entre essa reta e a marca—, aplicando R = c²/(8·f) + f/2. Convém medir uma corda longa, porque o raio é muito sensível a erros na flecha.
- O carro sai da curva ou capota?
- Depende da geometria dele. Um carro baixo desliza antes de capotar; um veículo alto e estreito pode capotar antes de deslizar, e então o cálculo da velocidade crítica em curva não descreve o ocorrido.
Fontes
O atrito transversal que decide a velocidade crítica provém da mesma tabela publicada que usa o módulo de frenagem.
- McHenry, R. R. (1976). User’s Manual for the CRASH Computer Program. Calspan ZQ-5708-V-3. O seu Exhibit 9-5 reúne catorze superfícies com quatro pares de valores de atrito cada uma.
O confronto destes métodos com casos documentados está detalhado em Como esta calculadora foi validada.